Machosfera e Red Pills: Como o ódio às mulheres cresce em comunidades digitais.
O avanço da misoginia em fóruns e redes sociais revela a face da machosfera, onde a suposta opressão feminina justifica a propagação de ódio e condutas agressivas
por Laina Moraes
A palavra misoginia define o ódio direcionado a mulheres, um sentimento que registra expansão em comunidades digitais voltadas ao público masculino, conhecidas como machosfera. Esse ecossistema reúne grupos como os red pills, que alegam uma suposta opressão feminina sobre os homens na sociedade moderna, e os incels, que atribuem às mulheres a responsabilidade por sua falta de êxito em relacionamentos afetivos ou sexuais. Tais movimentos utilizam o espaço virtual para a propagação de discursos hostis e o estímulo a condutas agressivas.
Em resposta a esse cenário, existe um movimento social favorável à criminalização da misoginia, com propostas legislativas que estabelecem penas de reclusão entre dois e cinco anos. Contudo, a punição legal enfrenta obstáculos no ambiente digital, uma vez que a legislação atual restringe a remoção imediata de conteúdo sem ordem judicial apenas a casos de crimes sexuais mediante notificação da vítima. Especialistas jurídicos apontam que, mesmo nessas circunstâncias específicas, a efetiva responsabilização das plataformas de redes sociais permanece um desafio raro e complexo.
Em entrevista a advogada em Direito Digital Tanila Savoy comentou que a violência existe desde sempre e que é um mal a ser tratado há muito tempo: “Então, eu falando parece algo muito assim subjetivo e muito no ar, mas as violências elas acontecem diariamente, diariamente com menores de idade, com maiores de idade, são crianças violentando outras crianças inclusive. Isso é real, isso existe, só não é tão divulgado para quem não trabalha no dia a dia com essas violências.”
Ela reforça que o começo da luta das mulheres começa quando uma apoia a outra: “Então assim, não é um alarme, é algo necessário que precisa ser falado, ser feito e uma ajudar a outra e formar uma corrente mesmo de amparo. De amparo e para conseguir identificar as violências, para conseguir identificar que elas são reais.”
Relatórios de inteligência policial e observatórios de direitos humanos destacam que a cooptação de jovens para grupos como os Redpill e os Incell ocorre de forma velada em fóruns de jogos e plataformas de vídeos curtos. O monitoramento dessas redes revela que o recrutamento utiliza táticas de manipulação psicológica para transformar inseguranças pessoais em ressentimento coletivo. Com isso, autoridades de segurança pública buscam novas estratégias de vigilância cibernética para antecipar ameaças e conter a organização de ataques planejados em ambientes digitais criptografados.
A Central de Notícias da Rádio Everest é uma iniciativa do Projeto “ETARISMO, IDADISMO, AGEÍSMO: Novos nomes para antigos preconceitos!”. Este projeto foi realizado com o apoio da 9ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária Para a Cidade de São Paulo.


