Ciclistas aguardam a continuidade das ciclofaixas e ciclovias
Usuários do monotrilho teriam mais opção de mobilidade se tivessem segurança para chegar de bicicleta até a rua do Oratório e avenida Luís Ignácio de Anhaia Mello
A atual gestão prometeu continuidade das obras das ciclovias, mas nenhum metro tinha sido entregue pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). A evidência, quanto ao desprezo à opção de mobilidade, é a prova de ciclovias e ciclofaixas que são apagadas para beneficiar moradores e comerciantes contrários ao modal, destacam ciclistas.
As reclamações contra a gestão do prefeito são inúmeras, além das vias apagadas, de acordo com as entidades e organizações cicloativistas, os mesmos denunciam o descaso à lei de trânsito por motoristas infratores que estacionam nas ciclovias e não respeitam as faixas exclusivas para ciclistas.
A falta de manutenção de ciclovias é outra reclamação antiga da comunidade de ciclistas da cidade. Estudo produzido ainda em 2022 pela Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade) indicou que uma a cada cinco vias (19%) precisava de algum tipo de atenção, sendo que 5% representavam naquele momento um risco à segurança dos usuários por causa de buracos, ondulações na pista ou pela falta de sinalização.
De acordo com as entidades, na atual gestão do atual prefeito, a continuidade foi interrompida por longo tempo do Plano Cicloviário da Cidade de São Paulo, As obras de extensão de mais 300 km prometidas, desde o início da gestão, estão paralisadas para ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, o que completaria quase 1000 km em toda a capital, mas apenas foram entregues 23 km em todo período da gestão.
Muitos ciclistas que usam a via para trabalhar perderam amigos que pedalavam por esporte ou lazer, preferiam a bicicleta como transporte ou mesmo usavam para trabalhar, foram mortos em ruas, avenidas e rodovias – maioria das vítimas por imprudência de motoristas, quando vinham de outras cidades trabalhar ou circulavam pela capital.
As ciclovias, que não foram conectadas em outros bairros, mesmo na grande São Paulo, ou seja, são quebradas, lamentam os ciclistas. Enquanto as ciclovias não são conectadas, ciclistas que moram em outros extremos, ou na grande São Paulo, usam carros ou transporte público lotado.
Alberto é um exemplo, que mora na região metropolitana, Guarulhos, vem de carro ou monotrilho para o trabalho na avenida professor Luís Ignácio de Anhaia Melo. Ele gostaria de deixar o carro em casa, já usou o percurso das ciclovias sem conexão, disputando as vias com ônibus e caminhão. Diante da insegurança do trânsito prefere não correr risco.
“Na realidade, eu acho importante ciclovias, para o ciclista e para a pessoa que mora próximo, não quer usar o carro, quer ir até a padaria ou quer ir a um lugar mais próximo. Eu pedalo, eu uso bicicleta, sou ciclista, é importante não só ampliação, mas ter ela com respeito. No caso eu poderia vir da Anhaia Mello, de Guarulhos até Anhaia Mello com segurança pela ciclovia.”
A prefeitura de São Paulo anunciou a expansão de ciclovias e prometeu manutenção das vias. A meta da gestão era de entregar 300 km de novas ciclovias e ciclofaixas até o fim do mês através de um edital, para expansão de 158 km, que foi publicado em setembro de 2023, foram entregues apenas 23 km.
A gestão de Nunes em São Paulo contratou em setembro de 2022 o Consórcio Manutenção de Ciclos SP, constituído pelas empresas M4 Construções e Sinalisa, para tocar um programa permanente de conservação das ciclovias e ciclofaixas da cidade.
O contrato, no valor de R$ 64,4 milhões, é válido por 12 meses. Passado um terço desse prazo, apenas uma ciclovia, a da Avenida Jair Ribeiro da Silva, em Interlagos, teve sua manutenção concluída, ao custo de R$ 1,98 milhão. O trecho reformado, de 2,2 quilômetros, representa 0,3% da malha cicloviária de São Paulo (731 km).
Segundo a gestão atual da prefeitura, a renovação das pinturas que foram apagadas seguem cronograma de reparos nas vias para bicicletas, mas depende da finalização de obras para recapeamento.
Reportagem: Márcia Brasil
Fonte: CET / Ciclocidade / Prefeitura de São Paulo
Imagens: Márcia Brasil
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