Interlagos Acelera a Economia Criativa com Feira ‘Mãos e Mentes’
Por Elder Oliveira
O Autódromo de Interlagos é mundialmente conhecido pela velocidade, mas o ritmo nos boxes e camarotes foi ditado pela economia criativa. Em um espaço nobre, entre as corridas da Fórmula Truck, foi montado o “Varal Cultural”, um evento que nasceu na periferia e que agora ocupa um dos maiores palcos de eventos do Brasil com o objetivo de democratizar o acesso à cultura e ao lazer.
A iniciativa de levar o evento a um local de grande visibilidade faz parte de uma estratégia clara, como explica Edson Patriota, responsável pelo evento e cuja voz inaugurou a feira:
“A gente tá no palco dos eventos mundiais para celebrar… a saída de um evento. A gente faz eventos na periferia… mas a gente também quer fazer eventos em lugares que podem ser ‘intocáveis’ para que as pessoas de baixa renda tenham essa visibilidade.”
Essa visibilidade é fundamental para os mais de 100 expositores que fazem parte do Programa Municipal “Mãos e Mentes Paulistanas”. A iniciativa, segundo Patriota, visa justamente dar essa chance. “Hoje nós estamos trazendo a Feira Mãos e Mentes… tem mais de 100 artesãos aqui hoje expondo neste evento,” disse.
O programa oferece qualificação e, o mais importante, acesso gratuito a espaços de venda como o de Interlagos, garantindo que o lucro fique 100% com quem produz. É o caso de Júlio César, artesão que trabalha com biojoias.
“Eu trabalho com biojoias. Tudo aquilo que você utiliza elementos da natureza… Aí é a vantagem. Você não paga o espaço, não paga a barraca, você tem que trazer o seu material… E o que você vender… fica totalmente seu. Ele é totalmente grátis. É essa a vantagem do programa.”
Júlio, que antes vendia suas peças de porta em porta, hoje aproveita o fluxo de grandes eventos. Para participar, o artesão passa por uma qualificação da Prefeitura que ensina desde a precificação até a segurança do trabalho. O resultado é a profissionalização e a valorização de um produto que não se encontra em qualquer lugar.
“Eu trabalho com exclusividade. As peças são únicas… Eu só não trabalho mais que isso, 100%, porque quando sobra uma… eu vou fazer uma peça.”
Seja transformando sobras de resina em joias ou ocupando grandes autódromos, o recado aqui é claro: quando a oportunidade chega, o talento da periferia mostra a sua força.
A Central de Notícias da Rádio Everest é uma iniciativa do Projeto “ETARISMO, IDADISMO, AGEÍSMO: Novos nomes para antigos preconceitos!”. Este projeto foi realizado com o apoio da 9ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária Para a Cidade de São Paulo.


