Japan House revela a engenharia secular do Japão no manejo das águas
Mostra destaca como infraestruturas criadas no século 17 continuam moldando a paisagem japonesa através de uma cultura de adaptação e respeito à natureza.
Por Elder Oliveira
A relação do Japão com a água é de reverência e domínio técnico, uma dualidade explorada a fundo na nova exposição da Japan House São Paulo. Através de fotografias, maquetes e documentos históricos, a mostra “Convivendo com a água” (título sugerido pelo contexto) revela como o arquipélago japonês desenvolveu, ao longo de séculos, soluções engenhosas para irrigação e prevenção de desastres.
O que mais impressiona os visitantes não é apenas a tecnologia moderna, mas a longevidade das soluções. A professora Ellen Diniz, que frequenta assiduamente o espaço, destacou a filosofia de gestão exposta nos painéis. “O Japão tem esse cuidado de analisar o que está acontecendo ali nas cidades, nos ambientes, e aí eles acabam reformulando conforme há a necessidade”, observa.
Ellen ressalta o impacto de descobrir que muitos desses processos datam do século 17 e perduram até hoje. “É a questão do cuidado… de realmente fazer a diferença ali no país, na cidade deles. A gente percebe isso analisando a exposição”.
Além da engenharia e sustentabilidade, a Japan House reafirma seu papel como um portal de entrada para a cultura nipônica na Avenida Paulista. Muitas vezes, o interesse começa pelas gerações mais novas. Foi o caso da nutricionista Cibele Rigonato, que visitou a exposição incentivada pela filha, uma entusiasta da cultura pop e da gastronomia japonesa.
“Eu nem conhecia, na verdade, esse espaço, aí ela que falou pra gente vir”, conta Cibele, que acabou se encantando com a arquitetura e os costumes revelados na mostra. Para Cibele, que na juventude praticou Kung Fu e nutriu curiosidade pelos filmes de artes marciais, a exposição reacendeu um antigo interesse pela estética e pelas tradições orientais. “Conhecer a exposição aqui traz um pouco disso pra gente, um pouco da arquitetura, de como é a cultura deles”, conclui.
A visita à Japan House, para muitos, é apenas o começo de um roteiro maior, servindo de inspiração para explorar outros redutos da cultura asiática em São Paulo, como o bairro da Liberdade.
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